Dar motivos para escrever

 

Entender por que os escritores escrevem é uma tarefa difícil, talvez impossível de ser realizada. Mas ela continua a ser tentada, de maneira incessante. Sobretudo por, obviamente, escritores. Eles escrevem, por que não escrever a respeito dos próprios processos e dos que são usados pelos colegas? Eles escrevem a respeito de si mesmos e dos demais.

Talvez agora, quando os escritores parecem o mais próximo da extinção, a tarefa se torne ainda mais urgente e necessária, ou pelo menos mais exigente. Eu mesmo, embora não seja escritor nem nada, pensei em escrever a respeito do assunto e comecei a tomar notas para um livro a que chamei, pelo menos em termos de título de trabalho, Escritores escrevem. Ele seria um dos títulos de uma série de não ficção a que chamei Infinitos Literários.

Cada título deve abordar um tema específico da literatura com um viés muito próprio que vou tentar imprimir. Escrevi apenas o primeiro dos títulos até o fim, Literatura é invenção. A respeito do poder inventivo, criativo, que deve ser uma das linhas de força da literatura. Os demais ficaram pelo caminho, em forma de anotações, inclusive o livro a respeito dos motivos pelos quais os escritores escrevem.

O que me faz falta para levar a bom termo um projeto como esse é a falta de capacidade para produzir sistematização cuidadosa. Nesse momento da minha vida, estou bem mais interessado em me dedicar à ficção do que a textos de não ficção, embora seja justamente nessa categoria que entraria este texto aqui que produzo de maneira lenta e gradual e que ainda deve me tomar muitos anos pela frente, se é que não vou abandonar a ideia antes disso.

 

— Paulo Paniago