Modelos de narrativa

Foto | Jose Diniz
Foto | Jose Diniz

 

 

O homem saiu da neblina como se estivesse nadando peito: cortava o ar branco a sua frente com as mãos unidas e o punha para trás pelas laterais do corpo, enquanto as pernas se dobravam e depois se estendiam, para empurrar. Pensei: estou sonhando, só posso estar sonhando. Mas minha consciência, essa infame, me desmentia, eu estava acordado. Então louco, talvez?, ponderei. E esse modelo de racionalidade talvez confirmasse a loucura. O homem se aproximou e ao passar ao meu lado, virou o rosto para mim e disse:

— Talvez você esteja numa narrativa surrealista.

Devo dizer que aquilo, ao esclarecer a situação, me tranquilizou muito.