Incluso, segue minha recusa, ao lado de agradecimentos insinceros mas cheios de charme.
— Paulo Paniago
Incluso, segue minha recusa, ao lado de agradecimentos insinceros mas cheios de charme.
— Paulo Paniago
A mãe recomendou ao filho que não queria dividir o brinquedo com o coleguinha recém-inaugurado: mostra a língua.
A escalada dos conflitos que descambaram em guerra veio mais tarde, mas essa é a origem.
— Paulo Paniago
Tinha um circo de pulgas atrás da orelha.
— Paulo Paniago
Numa entrevista de emprego, a pergunta: o que te faz levantar da cama de manhã. Implícita, a sugestão para que o candidato minta, fale de sonhos, da vontade de mudar o mundo, qualquer bobagem elevada que as rotinas produtivas da companhia tratarão de dissipar em dois tempos.
Quando, por exemplo, o candidato responde de maneira pragmática e pedestre — a vontade de fazer xixi e saber que depois vou tomar café —, é evidente que não receberá nem o telefonema que a concede, nem a vaga.
— Paulo Paniago
O que me move é sempre o que falta.
O sono a fome o cansaço o exagero o beijo o abraço a miséria a matéria o querer saber o odor putrefato o atraso a recompensa a sede o básico o avançado que passa pelo intermédio o começo e o fim o fato o semáforo o ainda não o não só o então vamos vamos é preciso seguir adiante que atrás vem gente.
— Paulo Paniago
Lá onde o vento faz a curva. Lá na caixa-prego, no cu do Judas. No vai toda a vida, depois vira. Longe, bem longe. Na puta que o pariu. No quinto dos infernos. Um pouco depois do caralho a quatro. É lá mesmo.
— Paulo Paniago
Como se fosse um extraterrestre, desconectado dos meus dessemelhantes, julguei-me inumano, pós-humano, desumano. Meu coração puro pó, zero de solidariedade. Podiam me eleger representante do descaso, me dar medalha e salário, depois me esquecer num canto.
— Paulo Paniago