71. Formal como armadura

Imagem | Andrew Wyeth

 

Ricardo, vamos dizer que o nome dele fosse Ricardo, parecia realmente desconfortável dentro do terno preto. Não era a cor, obviamente, ternos pretos são considerados elegantes, era o modelo. A verdade é que parecia a primeira vez que ele usava terno e além de se sentir pouco à vontade, ele também parecia não saber qual era o melhor jeito de se portar dentro daquela indumentária altamente incompatível com o calor tropical e com meios de transporte relativamente informais como metrô. O idiota que trouxe o terno para os trópicos, o que tinha na cabeça além de merda e um monte de presunção para acompanhar? Ricardo abria e fechava os botões, ajeitava a gravata embaixo, depois subia as mãos até o nó e tentava arrumá-lo, mas ele estava no prumo e depois de mexer Ricardo na verdade o desorganizava no próprio pescoço. Era de se ver que havia um enorme abismo entre ele e a necessidade do uso daquela roupa ridícula. Só os tolos precisam de ternos, as ovelhas que baliram sua concordância às convenções sociais mais ridículas. Me lembrei do Cretino em quem quase bati outro dia no metrô. Ele sim, ficaria muito bem vestindo terno. É o tipo de roupa que diz, veja, sou tão inseguro mas quero muito te impressionar vestindo justamente o tipo de roupa que é considerada a mais adequada. Fico imaginando que um dia recebo convite para um jantar de gala que exige um traje desses, explicitamente está dito que é preciso vestir roupa formal. Pois bem, eu compareço ao jantar, mas estou vestido de armadura. Querendo ou não, terão que aceitar que se trata de traje formal. Eu me sento e me conduzo como um cavalheiro, o jantar inteiro. Converso através da viseira levantada do elmo a respeito de política, economia, o futuro da nação, o passado dos antepassados, as crises atuais que assolam o país e preocupam a todos. Sou atencioso, gentil, sei escutar com atenção e responder com argúcia. O único que recuso é o charuto, por medo que caia dentro da armadura e me queime. Quando me perguntam se estou confortável dentro da indumentária, respondo que sim, ela me parece adequada e menos quente do que o terno do interlocutor, no caso masculino, ou o vestido da interlocutora, se se tratar de mulher, apenas com não tanta mobilidade, mas o que se revela saudável no fim das contas, uma vez que me tolhe os excessos. As convenções, digo, e acrescento reticências para deixar a pessoa desnorteada, sem saber se eu sou louco ou se sou movido a desfaçatez a toda prova e sendo irônico naquele momento. Os anfitriões e os convidados jamais me chamam novamente para outro jantar, o que era a minha intenção. O problema é apenas o seguinte: existe a chance de alguém achar que é o momento de voltar a moda das armaduras e elas se tornarem o novo traje formal. Aí os convites vão chover e não saberei como me desvencilhar. Uma convenção mais estúpida sempre corre o risco de exercer esse apelo irresistível.

70. Cretino impune

Imagem | Edward Hopper

 

Você é uma songamonga, Marta, o sujeito estava dizendo ao celular, mas todo mundo podia ouvi-lo no vagão, porque ele estava falando alto demais, como se fizesse questão de tornar público o ponto de vista que mantinha a respeito da mulher do outro lado da ligação. Uma perfeita songamonga, acrescentou, a mão que estava livre regendo o ritmo à frente do corpo, como se fosse necessário a repetição para que a songamonguice de Marta pudesse compreender, de acordo com a indução do maestro. Fiquei pensando na frase do Cretino — não sei que outro nome lhe dar. Não fazia sentido. Porque, se houvesse algo como a perfeição da tolice, conforme sugeria a frase que ele empregou, então a pessoa do outro lado da ligação, a se confiar na capacidade do sujeito de estabelecer um diagnóstico confiável, não seria capaz de compreender as implicações da frase. Portanto, não poderia haver a integralidade da tolice, ela precisaria de algum resquício de inteligência para que a compreensão se desse, o que tornava o argumento de Cretino inválido. Assim sendo, ele insistir em chamar Marta de songamonga apenas destacava o quão ridículo ele era, e qualificá-la de perfeita songamonga só agravava a impressão geral de todos no vagão de que aquele sujeito era mesmo e tão-somente ridículo. Aliás, Ridículo, pronto, o outro nome que pensei para ele. E virando-me para os demais ocupantes do vagão, sugeri algo. Aí, pessoal, e se a gente mostrasse para o Ridículo aqui que não é assim que se trata uma mulher? Éééé!, as pessoas reagiam. Eu pegava embalo: se a gente desse uma lição no Ridículo, pendurando ele pelas bolas ou enchendo a planta do pé dele de porrada? Isso aí, a turba se animava. Se a gente o lançasse para fora do metrô antes de as portas se abrirem? Siiiim, isso mesmo!, joga, joga, a multidão se animava, exultante. Eu tinha me transformado no líder da gangue, regente do coro. Ridículo estava começando a se encolher e mostrar os olhos assustados do arrependimento com fins de nos convencer a mudar de ideia e tenho certeza de que se conseguisse dizer algo ia mostrar profundo arrependimento por ter falado com Marta com aquela absoluta falta de modos. Mas eu não ia deixar ele dizer mais nada. Primeiro virei-lhe um tapão na orelha com tanta força e propriedade que ele caiu de lado. Aproveitei para erguê-lo pelos cabelos com uma das mãos até que estivesse de joelhos e o estapeei mais umas três ou quatro vezes, frente e verso da mão livre, indo e voltando, só para lhe deixar as bochechas vermelhas. Claro que na vida real ele destratou Marta mais uma ou duas vezes ao telefone na maior altura e saiu intacto, sem que eu nem ninguém o incomodasse com nossos pruridos contra as manifestações públicas de cretinice explícita, que ele desempenhava com excelência e de sobra. Talvez o verdadeiro cretino seja nossa omissão, pensei em seguida, mas era tarde.

69. Reflexões sombrias

Imagem | Edward Hopper

 

Esse equilíbrio para mim é o fundamental. De um lado, não consigo achar que me conheço completamente. Quer dizer, sei quem sou, o que espero da vida, as minhas limitações, sonhos, desejos, frustrações, decepções. O básico. Mas quando se trata de ter domínio das camadas mais profundas, os recados do subconsciente, aí as coisas se complicam. E então olho a minha volta e vejo essa multidão de pessoas fazendo mais ou menos as mesmas coisas que eu, ou seja, indo e voltando do trabalho, alimentando sonhos e compulsões, fantasias e complicações, e concluo que esse é o outro lado da equação, os humanos se parecem todos uns com os outros e as pequenas especificidades são apenas firulas. No grande quadro, o movimento de todo mundo é praticamente o mesmo. O que torna tudo meio besta, não é? Às vezes penso no quanto me importo com a minha própria vida, o quanto estou atrelado a ela e o quanto ela é significativa para mim. Mas as minhas memórias, as emoções que senti ou voltarei a sentir no futuro, os discursos que fiz ou farei, as pessoas com as quais interagi, isso só tem importância para mim e quando eu não estiver mais vivo essas coisas serão devidamente esquecidas e engavetadas. Como foram esquecidos todos os eventos do passado que envolveram pessoas comuns em situações corriqueiras. As horas gastas em solitária travessia pelas redes sociais, os momentos vazios em que seu rosto de transformou numa máscara de indiferença enquanto seu corpo era transportado sob a superfície da terra num vagão de metrô. Mesmo que a mente estivesse fervilhando de ideias e pensamentos, você simplesmente estava ali, em figuração no grande longa-metragem da humanidade, sem fazer nada com aquelas ideias e pensamentos além de tê-los e guardá-los para si ou registrá-los num diário, também esquecido e engavetado. Que bom que você viajou a outros países e tem fotos dos pontos turísticos considerados importantes: não importa por quem e por quê. Que bom que você sustenta que essa experiência foi importante para expandir os horizontes e seu alcance cultural foi renovado. Ou que pena que você nunca pôde viajar ao exterior. Tanto faz. Mesmo que tenha um emprego no qual possa dizer que fez e faz diferença na vida das pessoas, porque altera de alguma forma o modo como alguém vive, e mesmo que essa pessoa guarde uma lembrança carinhosa de você e dessa diferença que você exerceu sobre a vida dela, o sentido de tudo isso continua a escapar e por mais que os ditames de um pensamento lógico se coloquem para você e procurem te ajudar na organização racional de todas essas atividades, o sentido último de tudo insiste em não se apresentar. A verdade é que você está sozinho, na companhia de sete bilhões de semelhantes, e nem adianta intensificar as relações porque você sabe que é apenas um disfarce ruim. A solidão é a base de tudo. Escrever é uma das formas de tentar romper essa barreira. Há outras. Mas é tudo disfarce ruim. Mesmo que você esteja disposto a admitir que a solidão é a essência e queira por isso intensificá-la, porque quem sabe assim seja possível chegar ao fundo das coisas, isso termina por não esclarecer nada. A solidão também é ridícula. E eis de volta o ciclo do inexplicável, te provocando para rompê-lo, para compreender, fazer alguma diferença. Mas nada acontece. E mais nada há para se acrescentar.

68. Quem está no controle

Imagem | Edward Hopper

 

Eu tenho esse amigo, ouvi um sujeito dizendo para o outro, sentados ambos a minha frente, me mostrando as nucas grossas. Ele gosta de montanhas, vive arrumando fotos de lugares montanhosos, ele sonha em ser alpinista. O sujeito que estava falando era careca, mas dava a impressão de que tinha raspado intencionalmente a cabeça. Não era careca natural, não sei dizer como cheguei a essa dedução. O outro, ao lado, usava um chapéu cheio de estilo, parecia novo, com abas duras, um chapéu que eu me lembrava de ter visto sendo usado por aquele poeta português que durante muito tempo foi famoso, Fernando Pessoa. O do chapéu disse algo. E você acha que ele leva jeito para a coisa? Ele podia treinar alpinismo para ver se gosta de verdade, ele disse. O careca, Evandro, vamos dizer, rebateu. Acho que não é nada disso. Ele jura que gosta de montanhas, mas se tivesse de subir uma, se visse como é realmente duro e difícil e complicado, desafiador para o corpo e para a mente, eu acho, com toda sinceridade, que ele não ia dar conta. O que ele tem é um sonho montanhoso, não passa disso. A realidade, a dor, o cansaço, dependendo da montanha o frio, quando é de verdade, isso não lhe interessa. Ele idealiza a montanha, o que é compreensível, porque, quando você pensa, quantas pessoas já não fizeram isso e quantas vezes o tema da montanha não apareceu, por exemplo, na literatura? Pois bem, é disso que se trata. De supor que a montanha te coloca numa posição privilegiada, acima do comum dos mortais. Lá em cima o ar é mais puro justo porque o oxigênio se torna mais raro, as ideias mais elevadas e rarefeitas aproximam-se do essencial. A montanha parece um paraíso verticalizado. Meu amigo tem todos os motivos para ficar encantado, enquanto mantiver a distância. O do chapéu, Valdo, falou. Todos os motivos menos o essencial, ele disse. O quê?, Evandro quis saber. Valdo respondeu. Um mecanismo para aprender a lidar com os outros, trabalhar em equipe, esquecer o conceito do homem como ilha para poder incorporar o arquipélago. Subir uma montanha requer isso, o coletivo. Seu amigo me parece um solitário sonhador. O segredo é esse, ele disse, antes de os dois se levantarem e saírem pela porta do metrô, me deixando sem saber o fim da conversa, o segredo é que a gente acha que está no controle de nossa mente, quando na verdade é ela que nos controla.

67. Valentina

Imagem | Edward Hopper

 

Ela tem corpo esguio e insinuante, daquele modelo que parece não caminhar como uma pessoa qualquer, mas que desliza a alguns centímetros do chão. Os cabelos são cacheados curtos, parecem pequenas molas felizes, o que me deixa feliz por ela não ter feito a opção de alisar, porque é mais bela assim. Sentou-se a minha frente e reparou que eu tomava notas no meu caderninho de capa dura e preta, depois parava para observar em volta antes de voltar a fazer novas anotações. A certa altura nossos olhos se encontraram e ela sorriu, em vez de desviar os dela, como as mulheres geralmente fazem nessas situações. Parecia um sorriso cúmplice, o de alguém que reconheceu um semelhante. Eu não tinha o que perder, portanto sorri de volta. O vagão estava se esvaziando, o que começa a deixar os remanescentes mais à vontade. Você está escrevendo sobre as pessoas do vagão?, ela intuiu corretamente. Tinha uma voz mais grave do que eu podia ter imaginado. Se canta, ela deve ser contralto, não tenho dúvida. Sorri novamente. Isso mesmo, eu disse, acertou na mosca. Escrevo histórias a respeito dos passageiros. Ela cerrou as sobrancelhas. Mas não vi você conversar com ninguém, disse. Como é que fica? Sou escritor, eu invento, respondi. Só me inspiro nas pessoas que vejo, depois crio uma situação, trama, nomes e por aí. Ah, ela disse, parecendo surpresa. Que interessante. Bom, para mim era mesmo interessante, mas suponho que para ela estava mais para curioso, observar o escritor tomando notas no vagão do metrô. Sorri de novo. Mas posso contar uma história sua, se você quiser, acrescentei. Basta você me contar e eu anoto. E se você me disser o seu nome, também incluo. Aí a história não vai ser inventada. Ela pareceu recuar, como se de repente eu tivesse tocado num ponto sensível ou tivesse me transformado num daqueles passageiros desagradáveis que assediam mulheres. Mas exagero, o motivo do recuo devia ser outro, a falta de hábito de fazer relato a um estranho. Não sei de nenhuma história interessante, assim de cabeça, ela disse. Não precisa ser nada demais, falei, uma situação qualquer que tenha chamado a sua atenção serve. Ela lançou os olhos para cima, para os lados, vasculhava na memória alguma coisa que pudesse me ceder. Ah, disse, realmente não sei, vou ficar te devendo. Além disso, eu desço na próxima. Não tem problema, falei. Você não vai ficar me devendo, porque vou usar isso aqui, essa pequena conversa que a gente teve até agora. Ah, ela falou, tudo bem, mas não foi nada assim tão interessante isso que a gente conversou, foi? É aí que eu discordo, disse, não apenas achei interessante, como agora, ao discordar de você, posso aumentar um pouco e dizer que tivemos logo de cara a nossa primeira briga. Ela sorriu. Você é louco, disse. E se foi.

66. Os que merecem

Imagem | Edward Hopper

 

Pessoas felizes não frequentam metrô, pensava comigo, sempre que olhava a média sisuda das expressões das pessoas ao redor. Mas um dia se sentou ao meu lado esse sujeito, Lucas, que tinha tudo para passar despercebido — olhos comuns, boca comum, roupas comuns, cabelos penteados. Sabe, ele me disse e acho que falou comigo só porque calhou de ser eu que estava a seu lado, mas podia ser qualquer outra pessoa, sabe, ele disse, ainda bem que existem as segundas chances. É mesmo?, respondi, completamente interessado em morder a isca. E o que te faz dizer uma coisa dessas? Bem, ele respondeu, veja o meu caso. Meu pai cometeu suicídio quando eu era pequeno e fui eu que achei o corpo. Cresci pensando, de mim para mim, que aquele era o destino que também me estava reservado. Por isso comecei a aproveitar a vida logo, antes que ela chegasse ao fim. Ou seja, comecei a beber e, mais tarde, me viciei em cocaína. Queria consumir com avidez tudo porque sabia que ia ser breve. Eu olhei para ele, que gesticulava as mãos grandes com calma, enquanto ia dizendo aquelas coisas. Apreciei esse movimento lento. Ele continuou. Estava à espera de um tiro ou uma doença terrível como a aids, desafiava meus traficantes, por três vezes fiz roleta russa com uma arma. Esperei que ele fosse começar naquele momento uma lenga-lenga a respeito de ter encontrado Jesus e comecei a me irritar por antecipação, mas estava enganado. Então conheci uma mulher, Lúcia, que também era viciada, ele prosseguiu, e ela engravidou e aquilo foi o suficiente de força de vontade que a gente precisava. Clínica de desintoxicação, você sabe, a crise toda que é largar a droga, mas largamos. Nossa filha, Flávia, nasceu com baixo peso e um pouco de problema pulmonar mas fora isso é saudável e o que ela tem pode ser tratado. Estamos sempre de olho, porque há o risco de ela se interessar por drogas, isso a gente não pode descartar. Mas por enquanto é uma criança adorável e tudo vai bem. Eu e minha mulher temos emprego, uns dias que atravessamos às vezes são amargos, mas estamos tocando o barco. Flávia foi o disparador da nossa segunda chance. É ela que eu estou indo buscar agora na escolinha. Aliás, com licença, a minha parada é a próxima. Ele se levantou, deu um sorriso tímido para mim e foi buscar sua segunda chance na saída do colégio.

65. Não se iludir é importante

Imagem | Edward Hopper

 

O sujeito tinha uma careca tão lustrosa que rebrilhava e atraía a atenção das pessoas dentro do vagão. Sentou-se próximo a mim e o que em seguida chamou minha atenção foi a armação dos óculos, em formato ligeiramente arredondado e de cor escura, quase preta. Depois reparei que usava gravata borboleta vermelha — o que há com os carecas e as gravatas borboletas? Nunca consegui resolver essa situação e penso se algum instituto de pesquisa conseguiria. O terno era um cinza bem claro, o que conferia ao sujeito, Clodoaldo, um aspecto de ser extremamente zeloso com a limpeza pessoal. Nas mãos, ele levava um saquinho com bastante água e flutuando desajeitado nela estava um peixe de briga de um tom azul que parecia coisa de cinema, o azul tão intenso que formava alguns tons de branco nas bordas do corpo. As nadadeiras eram cheias de reentrâncias e, na calda, a exuberância se fazia ainda mais intensa. Era um magnífico exemplar de peixe de briga. Clodoaldo o estava levando para dar de presente ao neto. Júlio César, filho de Clodoaldo, desentendeu-se profundamente com o pai há treze anos. Mudou-se de cidade, mudou também inúmeras vezes de emprego e namoradas. Com uma delas, Jane, teve um filho, João Vítor. Quando o menino tinha três anos de idade, Jane o deixou com o pai e sumiu no mundo de forma irresponsável. Cinco anos se passaram e agora, há dois meses, uma oferta de emprego trouxe Júlio César e João Vítor para a cidade onde mora Clodoaldo, pai e avô. Quando soube que seu filho havia voltado e, além disso, que trouxera um neto, Clodoaldo deu um jeito de arrumar o número do telefone de Júlio César e ligou para ver se era possível reatarem contato. Em princípio, Júlio resistiu, mas finalmente cedeu aos apelos do pai para que pudesse conhecer o neto. Assim, Clodoaldo comprou o peixe azul e agora o transporta pelo metrô para dá-lo de presente ao neto. Não ter um aquário na casa dele será motivo para sugerir um passeio até uma loja especializada, a pretexto de adquirir o primeiro aquário do neto e ensinar a ele alguma coisa a respeito de animais de estimação silenciosos, caso dos peixes e tartarugas. Começa ali a educação de João Vítor, garoto simpático, curioso e perceptivo, para se tornar uma pessoa introspectiva.